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A Minha Experiência em Aldeias Ecológicas Por Filipe Espinha A minha experiência em aldeias ecológicas é bastante reduzida. No entanto, aceitando o desafio vou tentar descrever as minhas pequenas experiências porque podem ser de interesse para outros... O meu primeiro contacto com uma aldeia ecológica foi em Findhorn, Escócia, em setembro de 1997. Visitei Findhorn, na expectativa de encontrar uma comunidade, já ouvira falar de comunidades e da vivência comunitária, mas os modelos que conhecia podiam dizer-e que se limitavam a ideias “preconceituosas” tais como: a comunidade religiosa fechada (v.g. os mosteiros franciscanos), os ashrams indianos ou as comunidades “free lifestyle” (como as comunidades hippies). Quando cheguei a Findhorn deparei-me com um espaço “normal” que mais me lembrava uma mistura de uma aldeia com um parque de campismo... Porém, o que mais mexeu comigo foi o facto de encontrar um local onde as minhas ideias e ideais eram vistos serem postos na prática por pessoas que eram de uma simpatia extraordinária. A organização dentro de uma “anarquia natural” também me espantou (como latino com uma educação britânica), isto porque, dentro de uma aparente falta de estruturas e organização (centralizada, como é típico nos modelos latinos) encontrei uma estrutura quase natural e familiar aonde todos sabiam o que deviam fazer e quando. Na verdade, as coisas estavam organizadas de tal forma que mais parecia que as pessoas naturalmente sabiam o que fazer. E ao invés de haver regras, simplesmente fazíamos aquilo que os outros faziam. Fomos recebidos pelo “guest center” que nos cobrou as diárias e nos explicou que também teríamos que trabalhar ou da parte da manhã ou da parte da tarde (à nossa escolha) em três áreas (também à nossa escolha), eram elas: arranjos domésticos; agricultura e jardim. Depois de ter escolhido os arranjos domésticos foi-me dito para na manhã seguinte me apresentar em dado local. Quando aí cheguei deparei-me pela primeira vez na vida com um “exercício” bastante interessante: todos dávamos as mãos e partilhávamos com os outros e em grupo no nosso estado ( o ambiente era tal que as pessoas partilhavam realmente o que sentiam), depois disso pedia-se a todos que se centrassem no seu mais intímo, partilhando o dom da vida. Só depois se organizava o trabalho para esse dia, leia-se meio dia (ou uma manhã ou uma tarde). A meio da manhã ou da tarde era “obrigatória” uma paragem durante a qual ninguém podia trabalhar: o tea/coffee break . Insistia-se numa “quebra” do trabalho e na confraternização. O trabalho era “tanto” que eu (habituado a não ficar parado) acabei por
fazer os dois turnos de manhã fazia os arranjos domésticos, tal como devia,
e de tarde ia para as estufas ajudar na agricultura, inclusive ouve um dia
que fiz três turnos, uma vez que ajudei também na elaboração do almoço. No
meio de “tanta” actividade acabei por ter tido tempo de participar nos
trabalhos espirituais realizados de manhã, a meio do dia e de tarde. Nessa visita, acabei por falar com uma das responsáveis da eco-village em Findhorn que me explicou o conceito de aldeia ecológica e me deu apoio moral para a construção de uma comunidade (ao dar umas quantas dicas). Claro que me contou que nem tudo eram rosas, nomeadamente chamou a tenção para a falta de uma estrutura centralizada que ultrapassasse as demoras dos comités de decisão. Nunca o trabalho custou, o ambiente e os colegas de trabalho não deixavam ver o trabalho como tal mas como uma experiência profunda. Uma experiência de amor. Esta foi uma das experiências mais ricas da minha vida. Em boa verdade, tendo-me a minha mãe telefonado o único comentário que fiz foi: “estou no paraíso”. A minha segunda experiência comunitária foi muito mais curta e deu-se na comunidade italiana de Ananda, perto de Assis. É uma comunidade muito mais espiritualizada com uma filosofia yogi assumida mas com uma grande abertura espiritual de estilo “new age” . Foi uma experiência muito mais enriquecedora do ponto de vista prático (para quem, na altura, tinha como objectivo de vida construir uma comunidade em Portugal). Tudo começou via telefónica na preparação da viagem e da visita, a atenção e o carinho com que éramos tratados foi sempre enorme. Passou pelo convite a participarmos nas suas actividades espirituais (era um Domingo, e há pessoas de longe que aí se deslocam de propósito). Durante o almoço para o qual fomos convidados, assistimos à despedida de um dos grupos que aí se deslocam para cursos e a satisfação das pessoas juntamente com uma ligeira tristeza por partirem. Aí descobrimos que a comunidade (embora já tivesse os seus cursos preenchidos para o ano seguinte) vivia não das receitas dos cursos e das estadias mas sim da loja e do catálogo que vendia produtos com características específicas (uns importados outros feitos na comunidade). No computo final foi uma óptima experiência. |