Clarificando ideias (aínda assim!)

Uma ecoaldeia não é um grupo "hippies" ou de "marginais"

- É constituída por gente empenhada, das mais diversas idades e formações, tecnicamente preparada, com valores e normas definidos e um objectivo comum.

Uma ecoaldeia não é um "ghetto"

- É uma comunidade aberta, em ligação com as comunidades vizinhas e activamente empenhada nas questões que dizem respeito à "aldeia global" em que vivemos.

Uma ecoaldeia não é uma "seita"

- Não há qualquer ideologia ou crença religiosa comum. O respeito pela liberdade ideológica ou religiosa de cada um é total. O grupo incentiva e promove a expressão e discussão aberta de todas as ideias.

Uma ecoaldeia não é um "regresso ao passado"

- É uma procura de novos caminhos e soluções nas relações com a natureza (desenvolvimento de tecnologias ambientalmente integradas) e nas relações humanas (evolução da "família nuclear" industrial para a "família comunitária" ecológica).

Uma ecoaldeia não é um lugar "parado"

- É um centro de eventos culturais, espirituais e artísticos, em permanente comunicação com o exterior, organizando cursos, workshops e ateliers, ou acolhendo hóspedes e visitantes.
 

Uma ecoaldeia não é uma comunidade "rural"

- Não terá que ser necessariamente implantada numa zona rural ou de cariz agrícola. Há ecoaldeias próximo de cidades ou em zonas suburbanas. Há mesmo uma "versão urbana" de ecoaldeia, assente no conceito de Co-Housing.
 

Uma ecoaldeia não é um "condomínio fechado"

- Numa ecoaldeia a vida é comunitária (trabalho, economia doméstica, educação das crianças, refeitórios, espaços de lazer, celebrações, eventos) e há objectivos culturais, éticos ou espirituais que aglutinam as pessoas.
 

Uma ecoaldeia não é um "investimento lucrativo"

- Não há apropriação privada (há sim respeito absoluto pela privacidade de cada um) nem fins comerciais (procura-se a maximização da utilização de recursos locais e o estabelecimento de redes de troca baseadas em novas regras).

Uma ecoaldeia não é uma "cooperativa"

- Embora haja afinidades com alguns princípios do cooperativismo, o conceito de ecoaldeia vai muito para além da cooperação na produção/consumo. Visa a vivência colectiva e a integração do indivíduo em todas as suas vertentes materiais ou espirituais.
 

Uma ecoaldeia não é um "oásis"

- É um local onde vivem pessoas e onde inevitavelmente surgem conflitos. O debate em torno dos "valores" que unem o grupo tem de ser constante. Uma ecoaldeia não é uma "meta", mas um "caminho" permanente.

Não há um "modelo" de ecoaldeia

- A dimensão, implantação, actividades desenvolvidas ou paradigmas perseguidos podem ser infinitamente diversos. Não há ecoaldeias iguais. Tudo depende dos consensos possíveis entre as pessoas que as formam e do meio natural, social e cultural em que se inserem.

As ecoaldeias não são a "salvação do mundo"

- A emergente rede global de ecoaldeias representa, antes de mais, a experimentação de novos modelos de trabalho e de relacionamento entre as pessoas e a abertura de caminhos alternativos à economia da desigualdade, da exploração de povos, da destruição de habitats, do consumismo, do desperdício, bem como à sociedade concentracionária das megalópoles, da agressão, da exclusão, da solidão, do vazio e da neurose em que vivemos.